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Célia Claudina
2011/16/08 10:22
Educação em Gaza: Novas escolas sem professores*
O Director Provincial da Educação de Gaza, João Trabuk
MAPUTO, 16 de Agosto de 2011 - ESTÁ a crescer o número de escolas para acolher cada vez mais crianças em idade escolar no país, sendo que a província de Gaza faz parte das regiões que mais infra-estruturas de ensino está a construir.
Entretanto, a implantação destas infra-estruturas não está a ser acompanhada pela alocação de fundos para admissão de professores face ao crescente número de estabelecimentos de ensino que vão garantir mais vagas para os alunos.
Exemplos dessas construções são os projectos das escolas secundárias Samora Machel, no distrito de Manjacaze e de Chissano, no distrito do Xai-Xai. Do Instituto Superior Politécnico de Gaza, em Chókwè, do Centro de Formação de Educadores e Alfabetizadores de Adultos e a Escola Secundária John Issa e o Centro de Recursos e Educação Inclusiva Eduardo Mondlane, nos distritos de Xai-Xai e Macia respectivamente.
Trata-se de estabelecimentos que se espera venham a contribuir para a redução do rácio aluno por turma, uma vez que estarão disponíveis mais salas de aula.
Para além do Governo, os projectos são financiados por vários parceiros do sector da Educação, motivados em melhorar as condições do ensino e aprendizagem no país, em geral e na província de Gaza, em particular.
Fazem parte deste grupo de financiadores o Japão, que doou três milhões de dólares norte-americanos para construir as escolas secundárias de Manjacaze e Chissano. Os estabelecimentos terão as mesmas características, nomeadamente salas de aulas, laboratórios de física, química e informática, salas multi-uso, ginásios e um bloco administrativo para cada uma.
A serem construídas pela Ceta Construções e Serviços, que ganhou um concurso para a instalação de quatro estabelecimentos de ensino, duas na província do Maputo e igual número em Gaza, as escolas vão diferir no número de salas de aula, sendo 15 para Manjacaze e oito para a de Chissano.
Nestas obras, o Governo comparticipa com o valor do IVA e a implementação de outras infra-estruturas como a vedação dos recintos, a electrificação, a canalização de água, o apetrechamento e outros aspectos indispensáveis para o funcionamento das escolas.
Ainda no apoio ao sector da Educação, destaca-se o Kuwait que financiou a construção do Instituto Superior Politécnico de Gaza, no Chókwè.
O Governo financiou a construção de outros edifícios escolares como é o caso da Escola Secundária John Issa, do Centro de Recursos e Educação Inclusiva Eduardo Mondlane, bem como de outras 79 escolas primárias que deverão ser construídas até ao final do ano ao nível daquela província.
Entretanto, a construção destes estabelecimentos escolares está a trazer outro tipo de complicações para o sector da Educação, na província, que diz enfrentar dificuldades para a contratação de professores que vão leccionar nas novas escolas bem como para a aquisição do mobiliário para o seu apetrechamento.
O DIRECTOR provincial da Educação, João Trabuk, disse que o seu sector está satisfeito em relação à qualidade das obras, o que resulta de um trabalho de fiscalização permanente das construções em curso. “Não temos razões de queixas em relação à qualidade das obras que estamos a fazer”, afirmou.
Apesar disso, segundo Trabuk, pode surgir uma e outra questão relacionada com defeitos, mas o sector faz questão de exigir a corrigir imediata para manter a qualidade desejada.
“Em relação às obras de projecção central têm-se feito todo o esforço para se respeitar a qualidade das obras e quando são detectadas anomalias exigimos a correcção imediata”, explicou Trabuk, exemplificando que na Escola Secundária John Issa, a direcção mandou corrigir algumas fossas que desabaram e no Centro de Recursos da Macia teve que se refazer o tecto que tinha igualmente desabado.
“Somos implacáveis e quando vemos que alguma coisa não está bem mandamos destruir e construir-se de novo”, afirmou Trabuk, afirmando que na localidade de Mungoi um empreiteiro, cujo nome escusou indicar, foi obrigado a demolir e reconstruir uma escola que não estava em condições de ser recebida.
Em relação a observância dos prazos temos alguns casos que são fundamentados pelos próprios empreiteiros que, quando explicam, chegamos a prorrogar os prazos, particularmente nos períodos chuvosos. “Não temos casos de obras que estão a ser executadas fora dos prazos neste momento”.
O SECTOR da Educação está a enfrentar dificuldades em Gaza devido a vários factores, um dos quais foi a redução do seu Orçamento, segundo revelou o director provincial da Educação, João Trabuk.
Trabuk afirmou que este problema se vai reflectir mais ainda com a implementação de novos estabelecimentos de ensino, que vão precisar de mais professores. “Para o sector da Educação funcionar em pleno na província são necessários 1500 professores, contra os actuais cerca de 700 existentes”, lembrou o director provincial.
Acrescentou que ao se efectuar esta contratação, a província aumentaria o número de professores e estaria em condições de atender, sem problemas, os 378.081 estudantes dos diversos subsistemas de ensino, em Gaza.
“Actualmente temos 8.557 professores nas 11.087 escolas da província, mas precisamos de mais 1500, para podermos funcionar em pleno”, afirmou João Trabuk, para quem a província recorre às horas extras e segundas turmas para compensar a falta de professores.
De acordo com o director, a província também necessita de mais 3.072 salas de aula para cobrir, sobretudo, a falta de escolas nas zonas rurais.
A CONSTRUÇÃO de novos estabelecimentos escolares em Gaza está a trazer necessidades de aquisição de novo mobiliário, para o apetrechamento e pleno funcionamento destas escolas. No entanto, os gestores desta área afirmam que têm enfrentado dificuldades na aquisição de mobiliário escolar.
Francisco Hamela, substituto do director geral do Instituto Superior e Politécnico de Gaza, garantiu que as obras de construção da instituição já foram concluídas, faltando apenas o mobiliário para o seu apetrechamento para posterior entrega.
Segundo garantiu o orçamento para o apetrechamento do instituto já foi aprovado, mas se escusou de avançar os montantes, bem como as datas para a aquisição deste material.
Edite Manjate, chefe de secretaria do Instituto de Formação de Educadores e Alfabetizadores de Adultos, disse que até agora aquele estabelecimento estava a funcionar com mobiliário emprestado noutras escolas.
“Mesmo assim ainda temos compartimentos que não estão equipados, mas a escola não pode parar de funcionar. Sei que já há planos no sentido de se trazer o mobiliário para aqui, mas enquanto isso não acontece vamos operar nestas condições”, disse Manjate.
Entretanto, o director provincial da Educação, João Trabuk, disse que o Governo está a envidar esforço para equipar todas as novas escolas e, neste momento, estava na fase conclusiva a tramitação para o equipamento ser enviado ainda este ano.
“Temos um pacote previsto para o fabrico de carteiras, infelizmente não é equitativa em relação entre o número de salas e de carteiras daí a existência de alguns estabelecimentos sem carteiras”, explicou Trabuk, para quem o sector constrói salas de aulas anualmente desde que iniciou o Processo de Construção Acelerada de escolas, em 2005, e este processo não está a ser acompanhado taxativamente com o de aquisição de mobiliário.
“Não estamos a falar de um problema grave de falta de mobiliário, mas de uma crise que afecta principalmente escolas do ensino primário e que ocorre em todo o país sem excepção da nossa província”, garantiu.
A província de Gaza conta com um total de 1087 escolas públicas e privadas distribuídas pelos doze distritos. Nestes estabelecimentos de ensino, frequentam os diferentes subsistemas de ensino, um total de 378.081 alunos assistidos por 8.557 professores.
Deste universo de efectivo estudantil, 193.582 são do sexo masculino e os restantes do feminino.
O distrito do Chibuto lidera a lista de zonas com mais escolas, com um total de 159 instituições, seguida de Manjacaze, 156 estabelecimentos, o terceiro e quarto lugar é ocupado por Xai-Xai e Macia com 137 e 116 escolas, respectivamente. Massangena é o último da lista, com apenas 33 instituições de ensino.
O director provincial da Educação explicou que a discrepância na distribuição das escolas ao nível da província depende do factor demográfico em determinados locais em relação aos outros.
“Massangena, por exemplo, tem cerca de 16 mil habitantes, mas na entrada do distrito do Xai-Xai, existe um bairro chamado Fidel Castro que também tem 16 mil habitantes, só para ver a necessidade educativa, comparando um distrito e um bairro”, esclareceu Trabuk.
Para garantir o correcto funcionamento do sistema de ensino ao nível da província, o sector precisa de um total de 3.072 salas de aulas para todos os sistemas de ensino existentes em Gaza.
*Alcides Tamele in Notícias