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Célia Claudina
2012/17/02 14:05
UNICEF lança um apelo para operações humanitárias de assistência às crianças em 2012
MAPUTO, Moçambique, 17 Fevereiro 2012 – O UNICEF lançou em Genebra no dia 27 de Janeiro, um apelo no montante de 1.28 mil milhões de dólares para financiar as suas operações humanitárias em 2012, a fim de prestar assistência às crianças em mais de 25 países. A lista de países inclui muitas das chamadas emergências “silenciosas” ou de longa duração, mas a crise na Somália e noutros países do Corno de África corresponde a perto de um terço do valor necessário.
“Embora grande parte da atenção da comunidade internacional esteja concentrada nas necessidades humanitárias do Corno de África, não podemos esquecer as necessidades de muitas emergências que persistem no mundo, as emergências silenciosas, afirmou então Rima Salah, Directora Executiva Adjunta do UNICEF (a.i.), por ocasião do lançamento do relatório Acção Humanitária do UNICEF para as Crianças 2012.
“No Sahel, estamos perante uma crise nutricional de uma enorme magnitude. Por outro lado, a República Democrática do Congo, o Chade e a república Central Africana, para nomear apenas algumas, são emergências que requerem financiamento para assegurar a sobrevivência das suas populações mais vulneráveis, as crianças e as mulheres, “acrescentou.
O relatório do UNICEF descreve a realidade diária de algumas das crianças e mulheres mais vulneráveis do mundo, em situação de emergência, e o financiamento indispensável para assegurar as suas necessidades imediatas e a longo prazo, de modo a garantir o seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento saudável.
A publicação destaca a operação humanitária de grandes proporções no Corno de África, onde o UNICEF pôs em acção o seu mais elevado nível de resposta de emergência para executar uma operação destinada a salvar a vida de centenas de milhares de crianças e mulheres do limite da sobrevivência naquela região.
Realça também as necessidades das crianças e suas famílias deslocadas pela violência que se seguiu às eleições de Novembro de 2010 na Costa do Marfim e à independência do Sudão do Sul face à República do Sudão; os cinco milhões de pessoas afectadas pelo segundo ano consecutivo de cheias no Paquistão, e a operação de reconstrução do Haiti dois anos após o terramoto que devastou o país mais pobre do hemisfério ocidental.
O relatório refere a vaga de agitação política e de mudança no Médio Oriente e Norte de África como geradora de necessidades humanitárias na região, especialmente em países como o Iémen, já afectado por uma duradoura crise de emergência.
Relativamente às emergências de longa duração, o relatório do UNICEF afirma: "No mundo, milhões de crianças vivem em situações de crise que duram anos. Embora algumas dessas emergências atraiam uma atenção significativa por parte dos Media e dos políticos, outras nunca chegam a sensibilizar a comunidade internacional, e muitas tornam-se ‘emergências silenciosas’, cujas profundas necessidades humanitárias, por existirem longe dos olhares públicos, são descuradas demasiado facilmente e depressa demais."
O relatório salienta a importância da preparação para emergências e do reforço da resiliência como sendo cruciais para reduzir o número de mortos e feridos em situações de emergência.
O conflito no Leste e Nordeste da República Democrática do Congo continua a ter um profundo impacto em milhões de pessoas há muitos anos, segundo o relatório.
Até Junho de 2011, mais de 1.5 milhões de pessoas, das quais metade delas constitui crianças, foram deslocadas pela violência étnica. Milhões de crianças em áreas afectadas por conflito iam à escola, os ataques que envolveram violência sexual em grande escala são comuns nalgumas províncias, e as epidemias de sarampo e cólera ameaçaram a vida de muitos milhões de crianças.
No Haiti, o UNICEF e seus parceiros continuam a prestar assistência aos sobreviventes do terramoto de 2010 e a tomar medidas para aumentar a resiliência dos haitianos mais vulneráveis. Em 2011, o UNICEF ajudou a reunir 2.500 crianças separadas das suas famílias e estabeleceu 193 escolas temporárias para atender cerca de 86.000 crianças.
"Conseguimos muitos resultados positivos em situações de emergência em 2011, mas as necessidades urgentes e de longo prazo de milhões de crianças e suas famílias continuarão em 2012. O UNICEF precisa de financiamento adequado, a fim de poder cumprir os seus compromissos para com as crianças." declarou Salah. "Elas não só representam o futuro como são as mais vulneráveis e merecem o apoio generoso e consistente da comunidade de doadores."