Malária nas crianças: Novos estudos revelam avanços na prevenção

CERCA de 30 por cento dos episódios de malária que ocorrem no seio das crianças moçambicanas e africanas, no geral, podem ser evitados, revelam dados conjuntos de seis estudos em menores de um ano realizados por diferentes instituições, incluindo o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), recentemente divulgados.

Uma nota do CISM indica que tal seria possível através de uso de uma ferramenta “segura, acessível e simples” chamada Tratamento Intermitente Preventivo em crianças (IPTi) com um medicamento chamado sulfadoxina-pirimetamina (SP). Tal é, por outro lado, “eficaz e barato”.

De acordo com a fonte, este resultado é produto de meta-análise de seis estudos conduzidos no Continente Africano que foram publicados na prestigiada revista científica “The Lancet”.

O CISM está, desde 2003, envolvido no desenvolvimento do IPTi junto com outras entidades legais. Em 2006 este centro divulgou dados que indicavam que quando o SP é usado mediante a estratégia IPTi reduz os casos de malária em 22 por cento e os internamentos em 19 por cento.

Nota particular é que tal acontece sem interferir com a resposta às vacinas do Programa de vacinações (PAV) que têm sido administradas. De igual forma, não há qualquer hipótese de aumento de risco de malária nas crianças que tinham recebido a intervenção.

Com efeito, a OMS-Organização Mundial da Saúde já está a trabalhar na recomendação de IPTi como política de saúde.

Peritos na área, continua a fonte, dizem que se o IPTi com SP for expandido a outros países africanos seria possível prevenir cerca de seis milhões de casos de malária que ocorrem anualmente.

Para o CISM, a Fundação Manhiça e o país no geral, estes resultados representam mais um esforço de todos os investigadores, comunidade e parceiros que colaboram com o centro na busca de soluções não só a nível nacional, mas também global para as doenças que mais peso de morbi-mortalidade têm.

Os estudos foram realizados através do IPTi Consortium, uma organização internacional formada por mais de 20 instituições em África, Europa e Estados Unidos, a OMS e UNICEF-Fundo das Nações Unidas para a Infância.

O IPTi é uma estratégia de prevenção da malária que consiste na administração de um fármaco antimalárico três vezes durante o primeiro dia de vida das crianças aproveitando o PAV.