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Tráfico de seres humanos no país
A polícia diz que há fortes indícios de se ter tratado de uma tentativa de tráfico de menores.
Mais um caso de um suposto tráfico de crianças foi detectado pela polícia na cidade da Beira, na última terça-feira. Trata-se de 15 crianças que foram encontradas numa madrassa na cidade da Beira. São crianças que, tal como os primeiros dois casos reportados nos últimos dois anos, são provenientes da província nortenha de Nampula, com o propósito de irem estudar naquela madrassa.
A polícia disse ontem, numa conferência de imprensa, que há fortes indícios de se tratar de um caso de tráfico de menores, pois, foram transportadas de Nampula para Beira nas condições precárias e sem nenhum conhecimento das autoridades. Mais: o local onde estão alojadas deixa fortes suspeitas de que se trata de tráfico.
Contudo, segundo Mateus Mazive, porta-voz da PRM na Beira, a sua corporação está, desde ontem, em contactos com várias estruturas religiosas e governamentais de ambas as províncias com vista a clarificar o assunto.
“Ainda não percebemos como foi possíveis as crianças terem viajado num autocarro de Nampula para Beira sem nenhuma identificação e, acima de tudo, terem passado por diversos postos de controlo sem ser identificadas pela polícia. Portanto, suspeitamos que as crianças tenham viajado escondidas até à esta cidade”, avançou.
O que mais preocupa a polícia é que as referidas crianças estão na Beira desde 17 de Janeiro passado, alojadas numa residência arrendada pela Associação Muçulmana da Beira, onde alegam que se trata de uma madrassa. Esta residência, segundo a polícia, não está oficialmente registada como pertença daquela congregação religiosa e muito menos como madrassa.
“A casa em questão não oferece condições aceitáveis para alojar 15 crianças e parte das janelas está vedada com blocos, impedindo, assim, a circulação de ar”, lamenta o oficial da polícia, para acrescentar que as crianças são cuidadas por uma cidadã que responde pelo nome de Sarita Gonçalves.
Em contacto com o nosso jornal, Sarita indicou que as crianças estão nas condições aceitáveis. A mesma refere que, por dia, os petizes têm direito a três refeições.
INDICIADOS REFUTAM
Mohamed Yussufo, ligado à Associação Muçulmana em Sofala, e responsável das crianças, negou que se trata de tráfico. O mesmo alegou que se trata apenas de um gesto de caridade oferecido pela sua congregação religiosa, que tem em vista apoiar crianças cujos pais não têm capacidade para sustentar os seus estudos.
Por outro lado, o responsável pelo transporte das mesmas, Mussa Dabarane, negou também que se tratava de tráfico de menores. “Não são crianças roubadas. Nós falamos com os pais dos mesmos e aceitaram que os seus filhos viessem até à cidade da Beira para prosseguir com os seus estudos,” afiançou a fonte.
Os petizes, num breve contacto com a nossa equipa de reportagem, mostraram-se animados com o ambiente em que vivem e com as circunstâncias em que viajaram de Mogovolas para Beira. Revelaram ainda que estavam na Beira com consentimento dos seus pais para estudarem. Valdo Daniel, de nove anos de idade, disse que foi a mãe que lhe mandou para Beira. Acrescentou que em Nampula frequentava a quarta classe, “mas a minha mãe decidiu que eu continuasse a estudar na Beira, nesta madrassa”, referiu.