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As autoridades da educação ao nível da província de Manica deparam-se com um dilema: as crianças moçambicanas no posto administrativo de Dacata, distrito de Mossurize, em Manica, abandonam o ensino nacional e matriculam-se em escolas zimbabweanas. Só este ano, mais de 2 500 crianças das cerca de 3 500 matriculadas, em Dacata, decidiram deixar o ensino moçambicano e aderir ao ensino zimbabweano.
Os dados mostram que mais da metade das crianças matriculadas entre a 1ª e a 7ª classe preferem atravessar a fronteira, todos os dias, para frequentar o ensino zimbabweano. A preferência pelo ensino bilingue shona/inglês é a principal justificação apresentada pelos pais. Os mesmos alegam que tal é favorável ao futuro dos filhos.
No total, foram matriculadas, este ano, cerca de 3 500 crianças em seis escolas. Deste número, 2 500 abandonaram o ensino moçambicano e foram inscrever-se no ensino zimbabweano, tendo 1 789 desistido definitivamente, o que deixa as escolas locais às moscas. “A questão levantada pelos encarregados de educação é de que o ensino zimbabweano é bilingue. Eles acreditam que o inglês, sobretudo, é fundamental para os seus educandos, na perspectiva de formação futura”, revela Céu Agostinho, professor da Escola Primária Completa de M’pengo. Não obstante ser antigo, o fenómeno tem estado a ganhar contornos alarmantes nos últimos anos, devido ao abandono massivo das escolas locais.
O director provincial de Educação em Manica, Estêvão Rupela, confirmou o problema e reconhece que a preferência pelo ensino bilingue é o argumento principal dos pais das crianças. “À Direcção Provincial foi reportada a situação, aquando da visita que realizamos naquela localidade, com a governadora, e foi levantada a questão”, disse o director provincial de Manica.
As crianças aproveitam os cadernos e outros materiais que recebem gratuitamente do lado moçambicano para usarem nas escolas do Zimbabwe. “Até à 4ª classe damos cinco cadernos. Mas o que acontece é que as crianças levam esse material e abandonam o nosso ensino para Zimbabwe, e vão usar esse material naquele país”, lamenta a fonte.