Home > Na Imprensa > Beira: Confirmada tentativa de rapto...
A PRM confirmou ontem uma tentativa frustrada de rapto de uma menor na cidade da Beira, depois da eclosão de pelo menos três tumultos no espaço de um mês protagonizados por populares furiosos que se saldaram no ferimento de várias pessoas, além de danos materiais avultados e saque de bens, tudo isto à volta de supostos casos de rapto de petizes.
A confirmação surge depois de anteontem ter havido mais um espancamento de um suposto raptor de menores na zona de Tic-Tac, no bairro da Manga, com populares a acusarem um cidadão identificado pelo nome de M. Sousa (34 anos) de ter tentado sem sucesso, raptar uma menor de três anos com recurso a rebuçados.Na altura do sucedido, cerca das oito horas e 30 minutos, a criança estava a brincar justamente no quintal da casa dos seus pais e a tentativa de rapto frustrou porque a vizinhança se apercebeu rapidamente do caso. O visado trazia um martelo que se suspeita seja um objecto usado para intimidar crianças ou mesmo tirar a vida.
Assim, os populares furiosos espancaram o suposto raptor e o pior só não aconteceu porque outros populares denunciaram o caso à PRM, que enviou alguns agentes à paisana para sanarem a confusão.
O Oficial da Informação do Gabinete de Relações Públicas da PRM em Sofala, Mateus Mazive, confirmou a existência de fortes indícios de raptos de menor, tendo explicado que desde o primeiro dia das investigações o acusado contradiz-se nos seus depoimentos.
Mazive explicou ainda que, por um lado, o indiciado afirma que o martelo na sua posse teria apanhado num “chapa cem” quando fazia o trajecto Baixa-Manga, mas afirma também que chegou àquele bairro numa boleia de um amigo.
Além disso, o visado disse que fora a Manga fazer um trabalho de instalação eléctrica numa residência, uma vez que ele é electricista, mas não trazia instrumento algum que provasse tal facto. Também não conseguiu indicar a casa onde iria fazer o referido trabalho.
O indiciado encontra-se assim ainda detido na Sétima Esquadra, no bairro da Manga, vulgarmente conhecida por Brigada Montada, enquanto as investigações prosseguem.
Este é o terceiro caso que se regista na cidade da Beira. O primeiro aconteceu mesmo entre as zonas de Inhamízua e Manga, em que populares vandalizaram uma residência sob a alegação de existência de um raptor de menores. A situação obrigou a PRM a enviar várias unidades para conter a situação, tendo havido feridos, além de saque de bens.
Na altura a PRM alegou que não passava de um mero boato. O segundo episódio aconteceu uma semana depois, em que um cidadão foi fortemente espancado sob acusação de ter tentado raptar um bebé na maternidade do Hospital Urbano da Munhava.
Na altura, o pessoal do policiamento comunitário acudiu à situação, mas tudo veio a piorar no dia seguinte, quando o acusado foi visto a circular nas artérias do bairro de Muchatazina. Aí os populares agirem com violência. A PRM foi obrigada a abrir fogo porque a multidão arremeçou pedras e outros objectos contra os agentes e o posto policial.
Depois da confusão da passada terça- feira, a PRM confirmou haver indícios de rapto de menores, mas garante que investigações prosseguem para mais esclarecimentos, apelando no entanto, para que haja calma no seio das comunidades, sobretudo para que não façam justiça com as próprias mãos.