Home > Na Imprensa > COMENTÁRIO: Quem apoia esta pequenada?
O TORNEIO de Futebol Infanto-Juvenil Bebec vai perdendo brilho a cada ano que passa. A falta de estímulos para a pequenada, associada à falta de apoio material (equipamentos) e financeiro, transformaram a prova num evento longe de resgatar a imagem que deixou durante muitos anos, mesmo sendo o maior torneio a juntar a pequenada a nível da cidade do Maputo e noutros pontos do país.
O movimento vai perdendo o prestígio que teve, visto que deixou de atrair as massas, esta que foi a sua principal característica ao longo dos anos.
A edição que acaba de fechar no sábado, deixou mais uma vez saliente que este movimento está cada vez mais desamparado. Há uma tremenda indiferença de muitos que, mesmo reconhecendo o seu papel, e sendo o Bebec uma das fontes de talentos para o nosso futebol, fingem identificar-se com a causa do torneio, mas na verdade se estão borrifando. Aparecem amiúde a falar da necessidade de descoberta, formação de novos talentos, fomento da actividade desportiva, etc., mas sequer abrem a boca por estes momentos. Falarão simplesmente – e com a lábia bem afinada – em programas desportivos radiofónicos e televisivos ou em páginas de jornais, daqui a alguns meses, para se desdobrarem em teorias por exemplo caso os “Mambas” não consigam resultados honrosos para esta terra que produziu jogadores de craveira mundial. Que vergonha!
Contra todas as expectativas, vimos uma competição reduzida ao fracasso, sem a competitividade que nos habituou em edições anteriores. A falta de apoios forçou a organização a reduzir o número de séries na fase final, que passaram de quatro para duas. Alguém alegou que se tratava de uma forma de emprestar maior competitividade ao evento, mas notou-se que foi uma forma de reduzir o tempo, espaço e, indisfarçavelmente, os custos.
Aliado a isso, vimos a premiação a cingir-se apenas aos campeões e vices em ambos sexos, o mesmo que dizer que o precioso terceiro lugar deixou de ser destaque, uma novidade que não foi bem acolhida por aqueles que têm vindo a acompanhar o movimento. Aliás, os kits de material escolar que, juntamente com troféus e medalhas, eram distribuídos do primeiro ao terceiro lugar e aos melhores jogadores do torneio, apenas couberam aos campeões em ambos sexos.
A festa em homenagem aos campeões (a famosa festa de encerramento), que juntava os melhores depois das finais, já não acontece, o que torna este evento cada vez mais empobrecido em termos de iniciativas para estimular a pequenada.
É mesmo para dizer que o Bebec está cada vez mais órfão! Nem as habituais palmadinhas nas costas dos putos, a encorajá-los a continuar neste belo desporto houve. Onde estiveram os olheiros, os atletas mais velhos, os dirigentes dos clubes? De férias? Por favor, acordem! O Bebec produz talentos, sim! Mas que precisam de ser lapidados desde agora e não aliciados quando já poderem encher, em idade adulta, os bolsos dos nossos dirigentes desportivos ou empresários.
Acredito que, havendo essa vontade, se estaria perante uma proveitosa semente para futuros campeões e orgulho para o nosso futebol.
Espero que aqueles que, no passado, se identificaram com este movimento, reflictam e façam o seu papel para que, na verdade, não deixemos morrer esta iniciativa que o seu fundador, o falecido Luís Brito, pretendia transformar num evento de dimensão nacional, abrindo espaço para o surgimento de talentos em todo o país.