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Cidade de Nampula: Cerca de 24 mil crianças estudam sentadas no chão

HÁ indicações de que cerca de 24 mil alunos, dos pouco mais de 25 mil matriculadas no presente ano lectivo, na cidade de Nampula, estudam sentadas no chão, uma situação que está a contribuir, negativamente, na qualidade do processo de ensino e aprendizagem dos petizes, sobretudo na escrita.

O recurso ao joelho, como encoste para as diversas actividades decorrentes do processo de ensino aprendizagem, não só está a afectar a qualidade da escrita das crianças, como também o sistema ósseo muscular, uma vez que são anos e anos nesta prática.

Trata-se da resposta encontrada pelos diversos gestores das escolas públicas da cidade de Nampula, à pergunta feita pelo governador Felismino Tocoli, no recente encontro que manteve com aquele grupo, para auscultação do grau de melhoria do processo de ensino e aprendizagem, sobretudo e na qualidade da escrita em alunos das escolas públicas.

Segundo dados avançados pelos serviços de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia da cidade de Nampula, a falta de carteiras nas escolas primárias públicas da urbe, deve-se ao aumento da rede escolar que, actualmente, ultrapassa os 60 estabelecimentos, bem como do universo da população estudantil, que está acima de 25 mil alunos.

Para além da questão da escrita, o encontro analisou, igualmente, o fraco domínio de leitura. Sobre este problema, os gestores “refugiaram-se” no desnível entre o rácio professor/aluno. Disseram que é impossível leccionar uma turma com mais de uma centena de crianças.

A ocasião foi aproveitada pelos directores das escolas da cidade, entre primárias e secundárias, para solicitar a colaboração do Governo da província, para persuadir as empresas Águas e Electricidade de Moçambique, respectivamente FIPAG e EDM, para a criação de taxas bonificadas de instalação daqueles serviços.

Para instalação de água, alguns falam de valores como 300 mil, enquanto para a electricidade, os custos rondam os 100 mil meticais, valores que muitas escolas não têm.

Consta que por causa disso, as comunidades são obrigadas a colaborar na disponibilização de água a centenas de crianças quando estas se queixam de sede.