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Consumo de álcool nas escolas merece nossa atenção

Obrigado V. Excia por ter aceite o meu pedido de publicação desta carta no jornal que dirige. Recentemente acompanhei através deste jornal uma reportagem que nos trouxe à superfície os males que o consumo desregrado de bebidas alcoólicas representa. No rol da informação contida na reportagem consta a marca de bebidas alcoólicas fabricadas no país e o preço relativamente baixo que estava a ser praticado no mercado.

A oferta destes produtos e o preço relativamente baixo criaram condições para que os consumidores sempre que o desejarem as adquiram ignorando, na maior parte dos casos, a sua associação com a alimentação para recuperar energia. Ainda neste jornal foi tornado público a notícia da morte de dois indivíduos alegadamente por consumo excessivo de álcool.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas neste momento está a afectar a sociedade. A escola também faz parte desta sociedade e não pode ficar alheia a esta situação. Eis a razão porque os estabelecimentos de ensino estão a ser vítimas deste mal, com os alunos a aparecerem embriagados dentro da sala de aula. Como consequência da embriaguez, o aluno para além de criar instabilidade, não consegue assimilar da melhor forma os conteúdos leccionados porque perde grande parte do tempo nas barracas.

O consumo excessivo de álcool ocorrem dentro e fora dos estabelecimento de ensino. Com frequência vêem-se alunos uniformizados nas barracas próximas das escolas a consumirem bebidas alcoólicas em detrimento das aulas. Onde conseguem dinheiro para alimentar este mal que tende a crescer nas escolas?

Os pais ou encarregados de educação de certeza que pensam que seus filhos estão numa sala de aula a prestar atenção ao professor quando, nalguns casos, já trocaram a sala por uma barraca. As bebidas de fabrico local porque são de fácil aquisição têm sido a preferência de muitas pessoas com fraco poder de compra. Aliás, existem alunos que até transportam em suas pastas frascos contendo bebida para tomá-la sempre que desejarem satisfazer o desejo.

Para onde vamos com esta situação? Que tipo de alunos saírão destas escolas?

O álcool nas escolas não é assunto leve que mereça atenção apenas de algumas pessoas, mas sim é necessário que todos os intervenientes estejam interessados em mudar este cenário. É necessário que se tomem medidas urgentes de modo que não se atinja o extremo. O país espera que as instituições de formação formem quadros para emprestar o seu saber nas diversas áreas de actividade, mas nas condições actuais sempre reclamaremos a fraca qualidade de ensino, uma vez que não se pode esperar muito dos alunos que passam a vida nas barracas.

Este mal social deve envolver as comunidades e, sobretudo, as famílias porque tenho visto algumas pessoas oferecem um pouco de bebida alcoólica a seus filhos de tenra idade uns para satisfazer um pedido inocente dos menores, outros porque os querem ver a dormir uma vez representarem “incómodo”.

Condeno esta atitude porque desde cedo a criança vai aprendendo a consumir bebidas alcoólicas até à fase adulta, se lá chegar não estará em condições de ser útil à sociedade. Por isso, o Governo é chamado a tomar em consideração este problema do consumo excessivo de álcool nas escolas e a educação dos filhos na família.