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Falta de cuidados pré-natais está no topo das preocupações das mulheres de Guava, Jafar e Mateque, novos bairros de expansão pertencentes à administração de Marracuene, província do Maputo. Apesar de estarem a registar um crescimento demográfico, estas áreas não dispõem sequer de centros de saúde e o drama é visível na altura do parto.
À procura de melhores condições para a realização de parto, as mulheres grávidas percorrem longas caminhadas para alcançarem o hospital do Albasine ou o mais distante ainda que é o Hospital Geral de Mavalane.
Abordadas pelo nosso Jornal, algumas entrevistadas chegaram até a afirmar que se sentem abandonadas por quem de direito, pois, há relatos frequentes de parturientes que dão a luz fora das unidades sanitárias, tal como aconteceu com Carla Maússe, do bairro Habel Jafar.
Porque na altura não dispunha de meio de transporte e as dores a intensificarem no período nocturno teve que ser socorrida por duas vizinhas, no lugar de parteiras dentro de uma maternidade.
Teresa Magacela defende que em bairros tão populosos como Guava e Mateque não se justifica que não haja, no mínimo, um posto de saúde para tratar de doenças endémicas como a malária e primeiros socorros. “Embora pertençamos ao distrito de Marracuene, acabamos por depender em larga medida da cidade do Maputo. Gostaríamos que as autoridades olhassem para este facto que mexe com a vida das pessoas”, sugere.
Quem igualmente manifestou o seu descontentamento face à falta de maternidade foi Regina Chiziane, que teve que acompanhar a sua vizinha ao hospital na calada da noite. A viagem aconteceu numa viatura de transporte semi-colectivo de passageiros e que cobrou valores altíssimos pelos serviços.
Lurdes Paula, uma jovem mãe, recorda com alguma mágoa o que aconteceu no período em que teve que recorrer à maternidade do hospital de Mavalane. Teve que se mudar para a casa de uma amiga no bairro da Urbanização. Tudo para poder estar próximo de uma maternidade, já que os bairros de Guava, Jafar e Mateque, para além da falta de uma unidade sanitária, têm ainda o crónico problema das vias de acesso e transporte. Para tal pede uma rápida intervenção da administração de Marracuene.
“Os moradores deste bairro foram deixados à sua sorte e parece que ninguém está interessado em reverter este cenário. Este bairro surge numa altura em que muitos bairros da província do Maputo não existiam. Hoje vemos outras zonas residenciais em franco crescimento e, nós continuamos na mesma”, rematou.