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OS vendedores do Mercado Grossista do Zimpeto, na cidade do Maputo, defendem a necessidade de retirada de crianças que frequentam aquelas instalações como uma das formas de organizar a actividade comercial naquele local.
A preocupação foi manifestada semana passada numa reunião com o presidente do Município de Maputo, David Simango, durante uma visita de trabalho que efectuou ao distrito municipal KaMubucuana, onde se localiza o mercado.
Trata-se de crianças que entre outras coisas carregam as compras dos utentes do mercado, vendem plásticos, recargas de operadoras da telefonia móvel e trabalham como angariadores de clientes.
Roberto Macuacuá, vendedor do mercado grossista, interveniente na reunião, disse que nos últimos tempos um número não especificado de crianças frequenta aquele mercado para ganhar dinheiro, ao invés de ir à escola.
“Algumas delas até se apresentam uniformizadas, o que revela que saíram de casa com intenção de ir à escola, mas ficam no mercado e só regressam às suas casas sempre no final do dia”.
Macuacuá afirmou que por causa da convivência com diversas faixas etárias, as crianças que frequentam aquele mercado sujeitam-se a vícios, uma vez que no mercado ocorrem várias situações, como são os casos da presença de fumadores e de pessoas com hábitos suspeitos.
Outro vendedor que interveio no encontro foi Rosalina Chirindza que disse que por causa da presença de crianças estão a ocorrer muitos casos de assaltos nas bancas, situações que, segundo ela, só podem envolver menores porque não há casos de arrombamentos.
“Só podem ser crianças que entram nas nossas bancas porque nos últimos dias estamos a sofrer muitos roubos”, disse Chirindza, acrescentando que os casos de roubos já foram comunicados às autoridades policiais a nível daquela zona.
Mesma posição foi apresentada por Joaninha Simango, que também vende naquele mercado, ao afirmar que por causa da existência de crianças aumentou o índice de casos de roubo nas bancas daquele mercado.
Respondendo à preocupação dos vendedores, o presidente do Município de Maputo, David Simango, disse que a preocupação era legítima, mas que a solução passava pela intervenção dos próprios vendedores como pais e encarregados de educação.
Acrescentou que apesar de ser necessária a intervenção das autoridades municipais, os vendedores devem dar a sua contribuição no sentido de não permitir que as crianças trabalhem naquele local, ou então que dispensem os seus serviços.