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- Na província de Inhambane
Governo reconhece a dívida que ronda aos 40 milhões de meticais, mas diz que tal facto se deve ao esgotamento orçamental e à sua incapacidade financeira. Descreve a situação como sendo generalizada em toda a província de Inhambane e promete sanar a situação o mais tardar até finais de Fevereiro próximo para não comprometer o presente ano lectivo que está prestes a arrancar.
Maputo (Canalmoz) - Cerca de 3.475 (três mil quatrocentos e setenta e cinco) professores reclamam do Governo o pagamento de subsídios em atraso de horas extraordinárias de mais de 4 meses acumulados referentes ao ano de 2011.
No total, segundo apurou a Reportagem do Canalmoz, o Governo acumulou em dívidas com os professores mais de 40 milhões de meticais.
Os professores dizem que até agora não tiveram quaisquer explicações do Executivo provincial dirigido por Agostinho Trinta. Ninguém lhes paga o subsídio de horas extraordinárias desde o mês de Agosto do ano passado mas ninguém lhes dá satisfações. Sabe-se apenas, segundo as nossas fontes, que no acto de processamento das folhas de vencimento consta tal subsídio, mas que quando chega a hora de pagamento surgem notícias de que “não há dinheiro para subsídio de horas extras”. Não se sabe onde depois vai parar o dinheiro.
“É lamentável o que está acontecer aqui em Inhambane no sector da Educação. Não nos pagam o nosso dinheiro há mais de 4 meses, e não há nenhuma justificação”, lamentou na condição de anonimato um professor representando um grupo de professores do distrito de Zavala.
Os professores dizem que não podem reclamar junto das estruturas de tutela, porque “são frequentes as ameaças por parte do Governo e do partido Frelimo”. Ameaçam com transferências para outros pontos da província de Inhambane quem ousar procurar saber o paradeiro do dinheiro em dívida.
Os que querem saber do paradeiro do dinheiro são apelidados de “confusos e reaccionários”’, disse o docente.
“O medo é absoluto. Ninguém pode falar do assunto. Todos nós apenas murmuramos, porque existem ameaças de que o partido Frelimo poderá transferir quem andar a “confusionar”, ou seja, a procurar o paradeiro do nosso dinheiro. Mas nós queremos esse dinheiro. No mínimo que nos digam o que se está a passar”, disse-nos um outro dos representantes do grupo.
A dívida atinge mais de 40 milhões
Em contacto telefónico com a Reportagem do Canalmoz, o director provincial de Educação de Inhambane, Pedro Baptista, confirmou o não pagamento de subsídio de horas extras aos professores “no geral em toda a província”.
“Posso confirmar que é uma situação quase generalizada em toda a província de Inhambane. Desde Agosto do ano passado não estamos a conseguir pagar o subsídio aos professores”, disse Pedro Baptista.
Segundo referiu, são no total cerca 3.475 professores que se encontram nesta situação e o valor em dívida ascende a 40 milhões de meticais.
De acordo com a explicação do director provincial de Educação, a situação deriva do esgotamento, a partir de Agosto, dos fundos do Governo da província de Inhambane.
“A verdade é que os fundos esgotaram e a partir de Agosto deixamos de pagar esses subsídios de horas extraordinárias”, reconheceu o nosso interlocutor, acrescentando que “na devida altura, quando vimos a rotura dos fundos, reunimo-nos com os professores e explicámos a situação”, garantiu.
Entretanto, o Canalmoz foi informado por Pedro Baptista que houve uma reunião na manhã da última terça-feira entre os representantes dos professores de Inhambane, da Direcção Provincial de Educação, da Direcção das Finanças e o governador de Inhambane, Agostinho Trinta.
Sabe-se apenas que no encontro, depois de muitas justificações por parte dos sectores de Educação e Finanças, o governador ordenou que os subsídios sejam pagos entre final deste mês de Janeiro ou Fevereiro do ano em curso, “isso para não comprometer o presente ano lectivo prestes a arrancar”.