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MAIS de seis milhões de alunos das classes iniciais passam a beneficiar de assistência alimentar gratuita (lanche escolar) em todo o país, tendo como objectivo fundamental combater a pobreza extrema, melhorar o acesso e a sua retenção nos estabelecimentos de ensino, principalmente de rapazes e raparigas em situação de vulnerabilidade.
Com efeito, um acordo nesse sentido foi assinado ontem em Maputo entre o Ministério da Educação, Embaixada do Brasil e o Programa Mundial de Alimentação (PMA), envolvendo valores que ultrapassam os cerca de dois milhões de meticais e para um período de dois anos.
Com este projecto, a ser gerido pelo MINED e com assistência técnica do PMA e do Brasil, pretende-se que mais alunos prossigam os seus estudos, fazendo as sete classes obrigatórias (1ª á 7ª), visto que muitas delas, sobretudo nas zonas rurais, onde a vulnerabilidade e condições de vida são das mais graves, acabam abandonando a escolaridade por falta de condições alimentares ou porque se vêem na contingência de se dedicarem às actividades que lhes possam garantir uma refeição por dia.
Actualmente, a cobertura do programa é de cerca de seis porcento da rede escolar, beneficiando cerca de 10.27 porcento de alunos no país, principalmente no Ensino Primário. Esta percentagem, segundo foi revelado ontem, transmite uma ideia da dimensão do programa e do esforço que ainda deverá ser empreendido para a cobertura nacional.
Dados oficiais mais recentes mostram que cerca de 44 porcento de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crónica, cerca de quatro porcento de desnutrição aguda e 18 porcento ostentam baixo peso para a idade. Os efeitos da desnutrição podem manifestar-se na criança em idade escolar, influenciando sobremaneira a sua capacidade de aprendizagem, daí que a alimentação escolar pode ser um contributo valioso na supressão dos efeitos da desnutrição.
Para a Secretária Permanente do Ministério da Educação, Fátima Zacarias, a provisão de alimentação escolar concorre grandemente para a melhoria do processo de aquisição de conhecimentos, habilidades práticas e atitudes positivas. Neste contexto, segundo ela, com a assinatura do projecto abriu-se uma porta para o sector melhorar ainda mais a qualidade de educação.