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A utilização pelas comunidades da rede mosquiteira para a pesca ao longo da albufeira de Cahora Bassa, no distrito de Mágoè, na província de Tete, deita abaixo todos os esforços empreendidos pelas autoridades sanitárias na prevenção da malária, através da distribuição daqueles meios.
Esta situação, que também atenta a actividade piscatória, preocupa as estruturas administrativas distritais que, para inverter o cenário, encaram um grande desafio de sensibilização da população sobre a necessidade de uma correcta utilização daqueles meios de prevenção da malária, uma das principais causas das mortes e internamentos das unidades hospitalares no país.
O administrador distrital de Mágoè, Domingos Macamo, disse que, apesar do trabalho levado a cabo pelas autoridades sanitárias, sobretudo de distribuição de redes mosquiteiras e da realização de palestras em todas as unidades do sector sobre os cuidados de Saúde Materno Infantil (SMI), com maior atenção para as mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos de idade, tais acções não têm encontrado uma resposta positiva por parte das comunidades.
"Estamos a encarar um grande desafio de levar as comunidades a compreenderem a verdadeira função da rede mosquiteira, porque, neste momento, a população usa-a para a captura de peixe na albufeira de Cahora Bassa. Esta prática, bastante errada, encontramo-la em todas as localidades ao longo dos grandes rios que atravessam o distrito, como são os casos do Zambeze, Mecumbura, Luia e Mussenguedzi", disse Domingos Macamo.
Aquele governante distrital revelou que equipas constituídas por técnicos de Saúde, integrando líderes comunitários de diversos escalões, estão a trabalhar junto das comunidades não apenas na sua sensibilização sobre a importância e a necessidade da utilização correcta das redes mosquiteiras, mas também sobre os cuidados sanitários a tomar para a prevenção de doenças, nomeadamente da malária, HIV/SIDA e outras de transmissão sexual que estão a atingir índices assustadores, com muitas mortes naquele distrito situado ao longo da faixa fronteiriça com o Zimbabwe.
Entretanto, o governo distrital de Mágoè enfrenta o problema da falta de recursos financeiros para as obras de expansão das instalações do único Centro de Saúde do Tipo-1 e de referência localizado em Mphende, sede distrital construída há mais de 30 anos e cuja capacidade não absorve a actual demanda para a prestação de serviços adequados à população.
"A nossa unidade sanitária aqui na sede distrital já não tem uma capacidade suficiente em termos de espaço, recursos humanos qualificados para um atendimento adequado à tanta demanda que se regista nos últimos tempos à procura da assistência médica e medicamentosa. Esforços estão a ser envidados junto ao governo provincial para encontrarmos, nos próximos tempos, uma solução ideal para este caso", referiu Domingos Macamo.
Por outro lado, segundo Macamo, o Governo está a concertar ideias com as comunidades para o aproveitamento integral das potencialidades que o distrito possui na criação de animais domésticos de grande porte como burros, para serem utilizados nas actividades agrícolas, principalmente para a tracção animal durante o processo de tratamento dos campos de produção como lavoura.
"O nosso distrito é um dos maiores criadores de burros. Estes animais são usados apenas para o transporte de mercadorias e outros bens. Queremos, doravante, fomentar a tracção animal no seio dos camponeses, usando o burro, e temos a certeza de que esta inovação vai trazer resultados positivos nas comunidades", frisou o administrador de Mágoè, Domingos Macamo.