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O Instituto do Patrocínio de Assistência Jurídica (IPAJ) - Delegação de Tete, está a trabalhar em várias comunidades rurais nos distritos de Changara, Chiúta e Moatize e na periferia da capital provincial na sensibilização da população para a sua aderência ao programa de combate ao tráfico e abuso sexual de menores, sobretudo raparigas.
A delegada daquela instituição judicial, em Tete, Leonor Loquia, disse ao nosso Jornal que o trabalho tem em vista informar a população para se manter vigilante sobre o fenómeno de tráfico e abuso sexual de menores que, nos últimos anos, está a ganhar desenvolvimentos assustadores no país e na região.
Aquela responsável apontou que, nos encontros, as comunidades são igualmente mobilizadas para o registo de nascimentos dos seus filhos, frequência ao ensino para a sua aprendizagem, para além de denunciarem às autoridades os casos relacionados com o abuso sexual de menores, uso de mão-de-obra infantil e actos de violência contra a criança e a mulher.
“Porque a nossa província está situada no corredor onde transitam vários cidadãos para os países vizinhos, todo o cuidado é pouco e há uma extrema necessidade de um trabalho mobilizador no seio das comunidades para se manterem informadas e precavidas sobre esta onda de criminalidade e violência de menores”, disse Leonor Loquia.
As principais atenções, segundo a nossa entrevista, estão viradas para os distritos de Changara, Chiúta, Angónia e Moatize, por se tratar de zonas de maior movimento de tráfego rodoviário, onde uma média diária de 800 a 1000 viaturas, na sua maioria de longo curso, circulam com mercadorias para os países vizinhos.
O IPAJ está, igualmente, a trabalhar com os líderes comunitários e autoridades administrativas locais para o seu envolvimento nesta campanha de educação cívica das comunidades e divulgação de vários programas que o Governo estabeleceu para a protecção da criança contra o abuso sexual e uso e aproveitamento de mão-de-obra infantil.
“Sensibilizamos, igualmente, os professores para explicarem os alunos para a necessidade de não se envolverem em condutas duvidosas e denunciar qualquer acto de suspeita nas comunidades. Os maldosos usam o aliciamento para desviarem as crianças para satisfazer seus interesses macabros. O Governo está muito preocupado com este movimento, porque está a contribuir para a destruição das forças vivas da nossa sociedade”, referiu a delegada do IPAJ, em Tete.
Em relação ao registo de nascimentos, Leonor Loquia, apontou que são muitos casos em que há pessoas já adultas que, por várias razões, não puderam ser registadas e, hoje, com o fim de guerra e livre circulação, estão a enfrentar vários problemas por se encontrarem indocumentadas.
“Estamos a sensibilizar aos pais sobre a importância e necessidade do registo dos seus filhos. Durante os nossos trabalhos nas comunidades constatámos que as pessoas, sobretudo no meio rural, não conhecem o significado e vantagens do registo dos seus filhos e, quando é assim, explicamos, detalhadamente sobre a importância e a necessidade do tal facto. Pensamos que depois deste nosso trabalho as pessoas sairão mais sensibilizadas para aderirem ao movimento de registo dos seus filhos”, disse Leonor Loquia, delegada do IPAJ em Tete.