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O TRABALHO infantil afecta actualmente cerca de 215 milhões de crianças em todo o mundo e, apesar dos esforços coordenados dos governos e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o ritmo de redução do fenómeno contínua muito aquém do desejável. Para alertar sobre o assunto e procurar soluções para o problema, foi estabelecido o dia 12 de Junho como Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que este ano vai coincidiu com a realização, em Genebra, na Suíça, da 98ª Conferência Internacional do Trabalho.
De acordo com a agenda, a conferência debateu o relatório do Programa da OIT para a Eliminação do Trabalho Infantil, do que se espera sejam produzidos novos dados em relação às actividades realizadas pelos países membros com vista à eliminação daquele fenómeno.
Segundo dados divulgados pela OIT, o sector da agricultura é o que mais crianças absorve como trabalhadoras, embora por definição convencionada trabalho infantil seja toda aquela actividade que faz com que a criança não tenha condições de brincar e desenvolver uma relação social com os seus pares, que comprometa o seu desempenho escolar ou que ponha em risco a saúde ou a integridade física e moral dos menores.
Mesmo sem dados estatísticos sobre a situação em Moçambique, olhando para a definição, constata-se que o país pode ser dos que possui os mais elevados índices de trabalho infantil, a medir pela quantidade de crianças que, mesmo sem estar ligadas a empresas formais, ficam privadas de brincar e fazer a vida dentro da sua lógica de criança para se envolver em pequenos negócios de rua em busca de subsistência para si e para as suas famílias.
Refira-se que Moçambique está representado na conferência através de uma delegação chefiada pela Ministra do Trabalho, Helena Taípo, que deverá discursar para a plenária na sessão agendada para a próxima segunda feira.
A OIT definiu como extremamente perigosas as actividades ilícitas como venda de droga, pornografia, pedofilia e tudo o que seja exploração sexual comercial de crianças, bem como o envolvimento de petizes em conflitos armados.
Ainda assim, aquela organização recomenda que os países estejam também atentos para evitar outras formas de trabalho consideradas perigosas e ainda aquelas confundidas com o trabalho doméstico, sobretudo em relação às raparigas.