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Hoje é Dia da Criança Africana. A data é celebrada numa altura em que o tráfico e abuso sexual e comercial da criança é uma realidade em Moçambique e não só. O nosso país serve do ponto de origem deste tráfico e África do Sul é um dos principais destinos das vítimas traficadas.
É pensando nesta situação de tráfico que a Rede da África Austral contra o Tráfico de Crianças (SANTAC) em parceria com a OXFAM, entre outros organismos, lançam, hoje, no distrito de Namaacha, província de Maputo, um conjunto de programas radiofónicos sobre a prevenção do tráfico de crianças na região, traduzidos em 11 línguas locais, nacionais e internacionais mais faladas na região da África Austral.
Os programas radiofónicos decorrerão por um período de quatro meses.
Historicamente, o Dia da Criança Africana foi institucionalizado pela Organização da Unidade Africana “OUA” em 1991, na capital etíope, Addis-Abeba. A data é celebrada todos os anos em memória das crianças negras do Soweto que neste mesmo dia, no ano de 1976, saíram à rua em protesto contra a fraca qualidade no ensino a que estavam sujeitas e para reivindicar o direito de aprender na sua própria língua.
Com efeito, o que pretendia ser uma manifestação pacífica acabou com a morte de centenas de estudantes, seguida de dia de extrema violência. Esse período de coragem dos estudantes, ocorrido na vizinha África do Sul, ficou marcado na história mundial, em particular africana, como o levantamento do Soweto.
Centenas de rapazes e raparigas foram mortos e durante as duas semanas de protesto que se seguiram, mais de 100 pessoas morreram e mais de 1000 ficaram feridas.
A tragédia suscitou a necessidade de uma infância condigna, uma educação para todos sem distinção de sexo, crença nem raça para prevenir os perigos que afectam a comunidade (doenças transmissíveis, miséria e pobreza) e a garantia do seu desenvolvimento.
A Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indica que 12 milhões de crianças africanas abaixo de 18 anos abandonam os seus países, enquanto outras perdem a vida, por ano, por diversas razoes. Ainda de acordo com dados divulgados pelo organismo acima mencionado, grande parte das crianças com idades entre sete e 14 anos “são traficadas para prostituição e recrutadas por grupos armados que as transformam em soldados ou carregadores”.
Esta situação é ainda agravada pelas guerras, epidemias e outras catástrofes naturais, que colocam este grupo numa situação de sofrimento, miséria, analfabetismo, delinquência e outras enfermidades.