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Célia Claudina
2010/31/05 14:40
A 7 de Abril de 1948 foi criado, pela Organização Mundial de Saúde – OMS, o Dia Mundial da Saúde em, fundamentado no direito do Cidadão à saúde e na obrigação do Estado na promoção da saúde, que para além de oferecer um atendimento indiscriminado, tem que considerar que a pessoa deve ser tratada na sua individualidade, para que o tratamento seja bem sucedido, olhando para as especificidade de cada paciente.
No caso da Criança, um ser humano, no início de seu desenvolvimento, as acções de promoção da sua saúde, pressupõe o compromisso de prover uma qualidade de vida para que ela possa crescer e desenvolver todo o seu potencial físico e psicológico, que pode ser comprometido se contrair alguns tipos de doenças.
Portanto, os cuidados com a sua saúde estão entre as acções essenciais que o governo, por meio do Ministério da Saúde e através dos programas desenvolvidos deve oferecer, um atendimento médico mais humano e de melhor qualidade.
As linhas de cuidado prioritárias da saúde da Criança, vêm ao encontro dos compromissos de Moçambique no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, na Redução da Mortalidade Materna e Neonatal.
Estes são os grandes desafios que o Ministério da Saúde tem procurado enfrentar ao longo dos anos através da promoção de políticas públicas diferenciadas para atender as necessidades dos diversos segmentos da população, particularmente da Criança.
A legislação sobre a protecção da Criança, veio reforçar o compromisso pela promoção do bem-estar da Criança e ressalvar a responsabilidade, não é apenas da família, mas do Estado e da sociedade no geral.
Mesmo com os avanços alcançados no controle das doenças através da imunização, muito ainda deve ser feito para se atingir a meta de vacinar com o esquema nacional básico de saúde, um número mais elevado de crianças a nível dos distritos e por província.
A par da imunização, o saneamento ambiental, a promoção do aleitamento materno, a atenção integral as doenças prevalecentes na infância, tem sido instrumentos eficaz para a promoção da saúde, pois têm promovido uma mudança no atendimento à criança, reduzindo tempo de internação, a incidência de infecções e consequentemente na redução de óbitos por diarreias e pneumonias, e ainda possibilita uma maior organização dos serviços.
Ainda assim, os indicadores de saúde demonstram que há um longo caminho a percorrer para garantir às crianças moçambicanas, o direito integral à saúde, como assumido em nossas políticas e leis.
Os índices de mortalidade infantil, embora tenham sofrido uma redução nos últimos anos, ainda continuam altos, e maioria dos casos que resultam em óbitos poderia ser evitada se as crianças fossem encaminhadas para um serviço de saúde qualificado, com uma equipe profissional preparada para atender com eficiência e agilidade.
Tal situação seria susceptível de correcção com uma concertação de esforços na organização da assistência à população infantil, que contemplasse desde o primeiro atendimento, nos centros de saúde, até a atenção especializada dos casos mais graves, para todos e em todo o país.
A promoção e recuperação da saúde infantil já são prioridades assumidas por pelo governo e passa necessariamente por um planeamento e desenvolvimento de acções inter-sectoriais com a articulação das diversas políticas sociais e de iniciativas das comunidades a serem implementadas nas áreas residenciais e em unidades de saúdes, de forma a tornar mais efectivas as intervenções para os diversos problemas apresentados.
Nesse aspecto, a saúde escolar (saúde bucal, mental, triagem auditiva e oftalmológica) e a educação infantil (creches, pré-escola) devem estar contempladas. A inter-sectorialidade pressupõe a definição de objectivos comuns para os quais cada sector contribui com as suas especificidades, articulando ou produzindo novas acções. Esse conceito desperta para a necessidade de participação da unidade de saúde nas redes sociais locais que se constituem, para a defesa dos direitos da criança.
Uma abordagem global para a saúde da Criança, contempla todas as acções de saúde adequadas para prover resposta satisfatória na prestação de cuidado sanitários. Compreende, ainda, a integração entre todos os serviços de saúde, da atenção básica, apoio diagnóstico e terapêutico até a atenção hospitalar de maior complexidade, com o acompanhamento de toda a trajectória da criança pela atenção básica.
Considerando que a Criança representa cerca de 50 por cento da população Moçambicana, a abordagem global para a saúde dela, passa também, dentre várias etapas do processo de assistência à saúde da criança, por uma maior alocação de recursos financeiros e humanos onde a necessidade é maior.
É também preponderante incentivar a participação da família em toda acção de promoção da Criança, envolvendo-a com a informação sobre os cuidados e problemas de saúde, bem como nas propostas de abordagem e intervenções necessárias, entendidas como direito potencial de qualificação e humanização da assistência.
Não menos importante, é o estabelecimento de um sistema de monitoria permanente a assistência prestada a Criança de forma a contribuir para que os problemas prioritários sejam identificados, os ajustes e acções necessárias sejam realizadas, de modo a prover resultados mais satisfatórios para a saúde da Criança.