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Célia Claudina
2011/27/07 13:44
Estudos recentes sobre a violência contra crianças em Moçambique evidenciam a gravidade do problema. Embora estes estudos não forneçam um panorama completo da complexa realidade da violência e exploração das crianças em Moçambique, oferecem informação suficiente para afirmar que a violência contra a criança, principalmente, contra a rapariga (0-18 anos) é um problema grave no país que precisa de uma resposta urgente.
No ambiente escolar, 70 por cento dos alunos afirmam: que professores condicionam a passagem de classe com a relação sexual; que os agressores são tanto professores como alunos; que as alunas não sabem a quem se dirigir na escola para denunciar casos de violência; e que o medo de represálias e a vergonha levam as alunas a manter-se em silêncio.
No país, o envolvimento entre professores e alunas deve-se ao abuso de poder por parte do professor, isto é, o professor faz uso da sua posição profissional para se relacionar sexualmente com suas alunas. (Ministério de Educação, 2008. Relatório da auscultação através das Unidades de Género, dos Conselhos Escolas, e Jovens raparigas sobre que mecanismo a adoptar para prevenção, combate, denúncia e encaminhamento de casos de assédio e todo o tipo de abuso, incluindo o abuso sexual na escola).
Mais de 3.500 casos de violência contra crianças foram denunciados à polícia em 2009. O número real de crianças que sofreram violência, abuso e/ou exploração é provavelmente muito maior do que os casos denunciados. A tolerância da sociedade frente à violência contra crianças e mulheres inibe a denúncia, dificultando o combate a esses crimes.
Em Moçambique mais da metade das raparigas casam-se antes de completarem 18 anos (52%, MICS 2008). Geralmente, essas raparigas casam-se com homens mais velhos, o que implica normalmente um desequilíbrio dentro da relação conjugal que aumenta o risco de sofrerem violência. O que agrava ainda mais a situação vivida por essas raparigas é que elas geralmente abandonam a escola para se casar.
As leis em Moçambique –a Constituição, o Código Penal, a Lei da Família e a Lei de Promoção e Protecção da Criança, e muitas outras leis – para aleém de definirem criança como sendo qualquer indivíduo com menos de 1 anos, defendem os seus direitos e protegem-nas de todas as forma de violência – seja ela física, sexual ou psicológica e são muito claras, preconizando:
Ministério da mulher e Acção Social
Ministério da Educação
Ministério da Justiça
Rádios Comunitárias
UNICEF
Rádio Moçambique