MANICA - Vinte mil crianças são chefes de família

PELO menos 20 mil crianças são, neste momento, chefes de agregados familiares no país. Estes dados foram avançados pela Ministra da Mulher e Acção Social, Yolanda Cintura, quando, em Chimoio, falava no decurso do seminário nacional de capacitação das lideranças femininas, encontro organizado pelo Gabinete da Primeira-dama da República, Maria da Luz Guebuza e que coincidiu com a sua recente visita de trabalho à região.

Esta situação, segundo Yolanda Cintura, resulta do impacto negativo do HIV/SIDA que, segundo a fonte, é causa de grande parte das crianças órfãs que, actualmente, cuidam de outros menores em situação difícil.

Neste momento, de acordo com a governante, estão registadas, no país, 510 mil crianças órfãs de pais vítimas do HIV/SIDA, doença que já matou pelo menos 96 mil pessoas ao nível nacional.

Para além de crianças órfãs de pais vítimas daquela pandemia, a fonte indicou existirem outros factores que colocaram milhares de menores em situação de orfandade. Assim, segundo Yolanda Cintura, estão registadas, no país, 1.3 milhão de crianças órfãs de pais vítimas das chamadas causas associadas a factores socioeconómicos e doenças diversas.

No global, de acordo com a Ministra da Mulher e Acção Social, o país, com mais de 20 milhões de habitantes, possui, neste momento, 1.8 milhão de crianças órfãs, situação que descreve como sendo preocupante, daí a razão de a instituição que dirige estar a desenhar e pôr o governo a aprovar pacotes de programas de segurança social básica, que tem como objectivos, a protecção de pessoas vulneráveis, em especial as crianças em situação difícil.

A Ministra da Mulher e Acção Social considera que o HIV/SIDA está a ter efeito devastador e catastrófico, sobretudo nas mulheres, grupo alvo que tem vindo a registar uma subida vertiginosa no que tange a novas infecções.

Citando dados do Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos, Comportamentos e Informação sobre a pandemia de 2009, Cintura disse que a doença afecta com maior incidência às mulheres, que registam uma prevalência de 13.1 por cento contra 9,2 por cento dos homens dos 15 aos 45 anos de idade.

O aumento das mulheres infectadas, está em parte directamente relacionado com a questão da desigualdade sob o ponto de vista económico, social e cultural destas, segundo a fonte, que assinalou que esta situação coloca-se às mulheres a exposição de riscos e vulnerabilidade ao HIV/SIDA. “Este cenário, mostra-nos que o HIV/SIDA é uma realidade que deve ser seriamente assumida por todos nós, devendo todos contribuírem para que os efeitos devastadores da doença sejam controláveis, uma vez a doença não ter ainda cura”, disse a Ministra da Mulher e Acção Social.

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