* MONTE BINGA - Onde estão as crianças da rua!

DEPOIS que recentemente saí à rua, na companhia de Fortunato Vicente, para ver “in loco”, em que situação viviam as crianças da rua, este fim-de-semana pensei em “folhear” novamente os passeios da cidade dos “matewes”. Confesso que fiquei positivamente espantado por não ter encontrado, nos habituais locais, as chamadas crianças da rua.

De tanto espanto, acabei matando a curiosidade perguntando a um influente repórter da nossa praça, ao qual nenhum acontecimento lhe passa despercebido. Ao invés de me tranquilizar, o aludido homem da pena violentou-me com a informação segundo a qual alguém apareceu, há alguns meses, a recolher tais crianças não sei para onde!

Ele quis sugerir com essa informação de que as referidas crianças terão sido traficadas. Incrédulo, não embarquei no pensamento polémico do repórter, mas ao mesmo tempo a paz evaporou-se dos meus pulmões.

Não acreditei que tantas almas que habitaram durante longos anos os passeios de Chimoio fossem colectivamente postas no mercado de seres humanos. Questionei se não terá sido o pessoal do Ministério da Mulher e Coordenação da Acção Social que terá tido o obséquio de recolher e acolher as crianças.

Pelo sim ou pelo não, a minha preocupação multiplicou-se. Fiquei com a ganância de querer saber um pouco mais sobre o que teria acontecido. Não fui a tempo de abordar o substituto de Helena Muando, para comentar a-propósito deste assunto.

Porém, no meu íntimo, acusei aquela instituição de não respeitar aqueles que a apoiam, como é o caso do “Monte Binga”, que ajudou a identificar o problema através do alerta que lançou em tempo útil.

O que achava ser correcto era que se algo foi feito no sentido de proteger a integridade física, social e moral daquelas crianças, fosse publicamente anunciado como o foi o alerta. Agora que as crianças já não estão na rua, estarão onde? No infantário ou terão sido realmente recolhidas e traficadas pelos inimigos do alheio!

Na cidade de Chimoio e nos últimos dias, há mais adultos da rua que crianças da rua. Nos locais onde habitualmente algumas crianças disputavam papelões com adultos desequilibrados, já não se acham menores.

Que a nossa cidade continua cada vez mais livre da mendicidade e vulnerabilidade infantil. Porém, não deixaria aqui de dar um recado a quem de direito para saber se as crianças que já não estão na rua estão em local seguro.

Tal como terão recolhido as crianças, o mesmo deveria ser feito com relação aos doentes mentais. Definitivamente este assunto é sério. Estão demais malucos nas vias públicas, a comer do lixo, na companhia dos cães vadios.

* Artigo de Opinião

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