Mais de 62 mil crianças vivem em situação deplorável

Em vários pontos da província a vulnerabilidade infantil preocupa as comunidades. De acordo com dados fornecidos pela Direcção Provincial da Mulher e Acção Social, 80% das 62 mil crianças em situação de vulnerabilidade são afectadas ou infectadas pelo HIV/Sida.

A situação daquelas crianças é crítica. Numa ronda efectuada pela nossa equipa de reportagem constatamos que muitas das crianças vulneráveis não se beneficiam de apoio.

Entrevistados pelo canal de Moçambique, as nossas fontes contam como tem sido viver em condições vulneráveis atendendo e considerando o custo de vida que está levado.

Ana Maria de 16 anos de idade, órfã de mãe a abandonada pelo pai, residente no bairro Matundo, arredores da cidade de Tete, cuida das suas duas irmãs, com idades compreendidas entre 6 e 8 anos de idades.

“A vida está cada vez mais difícil. A nossa casa está degradada. Há mais de um ano que clamámos pelo apoio para a sua reabilitação”.

A nossa fonte disse ainda que foi obrigada a namorar com idade não aconselhável para sustentar as suas irmãs, deixando assim de estudar quando frequentava a quarta classe porque se encontrava em estado de gravidez.

Acrescentou que partilha a mesma casa com o namorado de 22 anos de idade porque este não tem onde morar e é ele que ajuda nas despesas da casa através de biscates que faz.

Outra situação contactada pela nossa equipa é a senhora Lena de 60 anos de idade, residente no bairro Chingodzi. Revelou que o futuro dos seus quatro netos está incerto. “Vivemos por baixo de um embondeiro. Há mais de 2 meses, recorri às instâncias governamentais, inclusive às autoridades do meu bairro e em resposta nada tive”.

De salientar que duas das netas da senhora são órfãs de pai e as restantes abandonadas pelas mães que se encontram presentemente algures na província de Manica a prostituir-se para a sobrevivência. Aliás, tem sido um hábito comum de jovens mães fazerem filhos e depois encarregarem às velhas para as cuidar sem lhes prestar nenhum apoio.

Hoje esta senhora e os quatro netos vivem numa ruína, graças a caridade da sua vizinha. Passam a vida na rua a mendigar para o seu sustento.

Em conversa com os petizes, estes clamaram pelo apoio de quem de direito, pelo menos, em material escolar para ingressar à escola próximo ano, alimentação, vestuário e casa condigna.

Enquanto isso

Já a directora Provincial da Mulher e Acção Social, (DPMAS), Páscoa Sombana Ferrão em resposta à essas questões colocadas pelo Canal de Moçambique, reiterou que “quem precisa de apoio com vista a facilitar a acção do Governo que se junte com os outros e forme associações ou mesmo grupos para desse modo se poder canalizar os apoios”.

Acrescentou ainda que acções estão sendo feitas com vista a minimizar o sofrimento das crianças na província.

Segundo ela o executivo provincial tem efectuado distribuição de quites em diferentes pontos da província, para além da construção de centros de acolhimento à crianças órfãs e vulneráveis.

De salientar que é muito triste ver os menores privados dos seus direitos para além de serem submetidos à práticas de violação e abuso. Importa referir que ao longo do ano 2008,segundo a directora, foram localizadas e integradas em suas famílias na província cerca de 8.465 crianças órfãs e vulneráveis.

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