Violência Contra a Criança
Estudos recentes sobre a violência contra crianças em Moçambique evidenciam a gravidade do problema. Embora estes estudos não forneçam um panorama completo da complexa realidade da violência e exploração das crianças em Moçambique, oferecem informação suficiente para afirmar que a violência contra a criança, principalmente, contra a rapariga (0-18 anos) é um problema grave no país que precisa de uma resposta urgente.
No ambiente escolar, 70 por cento dos alunos afirmam: que professores condicionam a passagem de classe com a relação sexual; que os agressores são tanto professores como alunos; que as alunas não sabem a quem se dirigir na escola para denunciar casos de violência; e que o medo de represálias e a vergonha levam as alunas a manter-se em silêncio.
No país, o envolvimento entre professores e alunas deve-se ao abuso de poder por parte do professor, isto é, o professor faz uso da sua posição profissional para se relacionar sexualmente com suas alunas. (Ministério de Educação, 2008. Relatório da auscultação através das Unidades de Género, dos Conselhos Escolas, e Jovens raparigas sobre que mecanismo a adoptar para prevenção, combate, denúncia e encaminhamento de casos de assédio e todo o tipo de abuso, incluindo o abuso sexual na escola).
Mais de 3.500 casos de violência contra crianças foram denunciados à polícia em 2009. O número real de crianças que sofreram violência, abuso e/ou exploração é provavelmente muito maior do que os casos denunciados. A tolerância da sociedade frente à violência contra crianças e mulheres inibe a denúncia, dificultando o combate a esses crimes.
Em Moçambique mais da metade das raparigas casam-se antes de completarem 18 anos (52%, MICS 2008). Geralmente, essas raparigas casam-se com homens mais velhos, o que implica normalmente um desequilíbrio dentro da relação conjugal que aumenta o risco de sofrerem violência. O que agrava ainda mais a situação vivida por essas raparigas é que elas geralmente abandonam a escola para se casar.
As leis em Moçambique –a Constituição, o Código Penal, a Lei da Família e a Lei de Promoção e Protecção da Criança, e muitas outras leis – para aleém de definirem criança como sendo qualquer indivíduo com menos de 1 anos, defendem os seus direitos e protegem-nas de todas as forma de violência – seja ela física, sexual ou psicológica e são muito claras, preconizando:
- É crime um adulto se casar com uma criança;
- É crime ter sexo com crianças – rapazes e meninas;
- É crime assediar sexualmente crianças;
- É crime traficar crianças;
- É crime servir bebida alcóolica para crianças;
- E esses crimes são ainda mais graves, se o adulto é familiar, director de escola, professor, polícia, enfermeiro, régulo ou qualquer outra autoridade;
Para elaborar um bom artigo deve-se ter em conta os seguintes aspectos:
- O que se entende por violência contra a criança? Quais são as formas de violência contra a criança?
- Qual o nível de implementação das leis de protecção da criança, nomeadamente: previstas na Constituição da República, no Código Penal, Lei da Família, lei da Promoção e Protecção dos Direitos da Criança, Lei do Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e crianças e da própria legislação do Ministério da Educação para estes casos?
- Evidências indicam que a violência pode ocorrer em todos os contextos, mas em geral, a violência e o abuso sexual são mais comuns dentro do ambiente familiar, escolar ou na comunidade e perpetradas por pessoas conhecidas da criança, quer dizer, por pessoas que fazem parte da vida das crianças (pais, tios, padrastos e madrastas, pais adoptivos, irmãos, outros familiares, vizinhos, amigos da família, professores, colegas, empregadores, ou pessoas com alguma autoridade sobre ela.
- Muitos pais das vítimas consideram o abuso sexual um problema que pode ser abordado/resolvido pela família. Qual é a influência da aceitação cultural para a resistência em denunciar estes crimes?
- Até que ponto as crianças que sofrem violência ou seus pais denunciam estes crimes?
- Existem casos de violadores que terão sido levados à justiça?
- Muitas raparigas sofrem violência sexual por parte dos professores nas escolas. Nos casos identificados, o que aconteceu ao professor? Que medidas punitivas são aplicadas aos professores? Serão estas medidas as mais recomendáveis para desencorajar estas práticas?
- O que o governo faz para assistir as crianças que sofrem violência?
- Qual o papel da família, da comunidade, da religião e da escola para reduzir os níveis de todas as formas de violência contra a criança?
- Que medidas estão a ser levadas a cabo pelo Governo e seus parceiros com vista a reduzir os casos de violência contra a criança?
Fontes:
Ministério da mulher e Acção Social
Ministério da Educação
Ministério da Justiça
Rádios Comunitárias
UNICEF
Rádio Moçambique